Luciano Huck co-estrela a campanha da Oficina, marca do Grupo Reserva, e fala sobre o poder inspiracional da TV e os desafios do empreendedorismo no Brasil.

No ar há 18 anos com seu Caldeirão na Rede Globo, Luciano Grostein Huck, 46, é sem dúvida um dos rostos mais conhecidos da televisão brasileira. Tamanha exposição pode ofuscar outras facetas do seu currículo e de sua história. Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), Huck começou a carreira flertando com a Publicidade, com passagens pelas agências W/Brasil, DM9 e Talent.

Em sociedade com amigos, abriu o bar Cabral, em São Paulo, antes de dar os primeiros passos no audiovisual. Fez locução na Rádio Jovem Pan; apresentou programas nas TVs Gazeta e Bandeirantes. Até receber, em 2000, o convite da Globo para assumir o Caldeirão. Hoje, ele encontra tempo de atuar também como diretor-presidente do Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias, ONG que promove talentos no meio audiovisual.

Huck é, ainda, um dos sócios da Reserva. Durante a sessão de fotos para a campanha de lançamento da Oficina (marca do grupo prestes a inaugurar nova loja no Shopping Leblon, no Rio de Janeiro), ao som de “Under the Gun”, de Electric Guest, o apresentador e empresário divagou sobre a sua missão em entrevista a Phydia de Athayde, editora-chefe do Projeto Draft. Confira:

Por que você acredita estar participando dessa campanha?

Sou curioso e acho que estou aqui porque me identifico – sempre me identifiquei – com o jeito que a Reserva enxerga o mundo.

No mundo dos negócios, quem te inspira e por quê?

Acho que minha inspiração é o moto-contínuo. Meu trabalho é ser um curador de inspiradores. Sou um bom ouvinte. Seria injusto elencar ícones. Eu gosto do empreendedor que está na base da pirâmide, é esse que me interessa, que eu vou lá, cultivo, apoio.

Empreendedorismo para mim é uma maluquice, porque vai desde as minhas inspirações grandes, que são os [empreendedores] icônicos que acho que todo mundo leu, gosta e curte, até a base da pirâmide onde eu trabalho, e o meio dela, onde eu invisto. O empreendedorismo permeia minha vida em várias esferas.

Pode citar uma situação em que você transformou um problema em uma solução? Um “limão” em uma “limonada”?

Acho que o “limão” que transformei em “limonada” foi a minha chegada à Rede Globo. Comecei a fazer televisão na Bandeirantes, que era um canal menor em escala, produção e talvez impacto, e tive que mudar de cidade, de equipe, de público. Foi o aprendizado entre estrear na Globo, entender o que o público esperava de mim e qual seria o meu prazer em fazer televisão. Foi um processo bem dolorido, por um lado, porque você experimenta muita coisa que não dá certo, até, de fato, começar a encontrar a televisão que dá prazer em fazer e que as pessoas gostem de assistir. Os dois primeiros anos foram um período de muitos erros e acertos que me fizeram crescer bastante.

Atuar no Brasil, estar no Brasil, ter negócios no Brasil… é sorte ou revés?

Aquele clichê do “quanto mais você trabalha, mais sorte você tem” funciona em qualquer lugar do mundo. Não existe empreender sem trabalho. Empreender é a relação mais maníaco-depressiva que uma pessoa pode ter, porque a pessoa acorda de manhã animadíssima; ao longo do dia, pode se decepcionar; no fim da tarde, tem mais uma notícia boa; vai dormir triste e acorda feliz, e assim vai. Não é simples, ainda mais no Brasil – um ambiente completamente adverso para quem quer empreender.

Hoje há 8 milhões de empreendedores em comunidades, favelas brasileiras, sem apoio, empreendendo do mesmo jeito que o grande empreendedor. É uma terra hostil, apesar de ter milhares oportunidades, porque tudo é muito burocrático. Abrir uma empresa é fácil; fechar é muito difícil. Não é um país que está construído a favor do empreendedor. Se o Brasil quiser ser um pólo de inovação, a favor do empreendedorismo, tem que rever seu sistema.

Vendo o lado bom, há milhares de oportunidades, 210 milhões de pessoas que falam uma única língua, conectadas. E o Brasil está entendendo os Steve Jobs, Bill Gates, Elon Musk e Mark Zuckerberg do futuro, da próxima geração, que são os empreendedores que vão conseguir fazer negócios economicamente viáveis com impacto social. O que chamamos de “setor 2.5”, hoje, é o grande futuro – ganhar dinheiro deixando um legado, um impacto social relevante.

Então, trazendo essa questão do legado, o que o país perderia sem você e os seus negócios?

Acho que minha maior contribuição, nesse sentido, é a televisão que eu faço. Tento transformar o poder da TV aberta em uma ferramenta exponencial de inspiração, em que as pessoas possam se enxergar, entender que o lado escuro da força é bem mais fraco que o lado positivo. Podemos garimpar bons exemplos, curar boas ideias e usar a televisão para mostrar que, sim, tem caminhos de luz pela frente – e eles são muitos.

O Brasil está vivendo um momento de reflexão, de reconstrução. Ao mesmo tempo, parece que perdemos a capacidade de dialogar. Como podemos unir um país que desaprendeu a conversar?

É um ciclo geracional que temos que aproveitar. Tem representantes da minha geração, e das próximas que estão vindo depois de mim, em vários setores da sociedade. Ao mesmo tempo, vejo pouca liderança, no sentido da construção dessas pontes [entre pessoas que pensam diferente]. Para mim, essa coisa de direita, esquerda, tanto faz – o que vale é a boa ideia. Me incomoda um pouco as pessoas concordarem em 98% dos assuntos, discordarem em 2% e esses 2% se sobreporem aos 98%. Temos que relevar nossas diferenças, encontrar nossas sintonias e transformar nossas “alergias” em sinergias. É sentar e conversar, porque é conversando que a gente se entende.

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